Chá de Bebê ou Chá de Fraldas?

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Oi, tudo bem? Como vão as crias?

Sei que tem algumas que ainda nem nasceram. E deve ter gravidinhas por aí ansiosíssimas com os preparativos para a chegada delas.

Ah, um dos momentos mais gostosos da gravidez é o chá de bebê. Sei que muita gente tem dúvida se faz ou não, se é melhor chá de fraldas ou de bebê. Por isso, vou compartilhar com vocês como fizemos aqui.

Tivemos dois chás: um no meu trabalho, na época, e outro para a família. Foi muito bom porque as fraldas descartáveis que ganhamos duraram até ela completar um ano e economizamos uma boa grana.

Chá de Fraldas no Trabalho

Quem sugeriu foi a Sandra, uma colega maravilhosa que eu tinha no meu antigo emprego. Já era hábito acontecer com outras grávidas e eu fiquei um pouco sem graça por se tratar de um ambiente corporativo, mas aceitei de bom grado. Ela reuniu outras colegas e elas se encarregaram de fazer um convite virtual e disparar por e-mail entre os demais.

No dia marcado, fizeram uma vaquinha para comprar as guloseimas e cada um trouxe um pacote de fraldas.  Nos reunimos ali mesmo no salão do escritório, lanchamos e eu anunciei o nome que havíamos escolhido: Sabrina. Desde então deixei de ser cumprimentada, pois as pessoas só falavam com a barriga hahaha.

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Parte da turma do trabalho no chá de fraldas

Eu amei esse momento que já foi uma despedida para a licença-maternidade. Então se no seu local de trabalho eventos como esse forem aceitos, recomendo.

Dica: Hoje em dia eu substituiria as descartáveis por fraldas de pano modernas que são impermeáveis e podem ser lavadas. Custam em média R$ 45 cada, o valor de um pacote de fraldas descartáveis que não dura nem um mês. Opção mais econômica e sustentável.

Chá de Bebê para a família

A princípio não éramos muito a favor, mas como se tratava de um interesse da pessoinha que ia nascer, repensamos e topamos fazer. Tudo de forma colaborativa, envolvendo os familiares. Eu estava com sete meses, uma época legal de fazer porque você sai do risco dos seis meses e não está tão cansada como acontece no fim da gravidez.

cha-de-bebe1Uma prima conseguiu o salão do prédio dela e três semanas antes batemos o martelo. Só tínhamos que correr contra o relógio, pois restaram poucos dias para preparar os convites e distribuí-los para dar tempo das convidadas se programarem.

Sim, o espaço era limitado e temos famílias enormes. A solução foi convidar somente a mulherada e os tios diretos da criança (por motivos de: primeira sobrinha). Como era meio informal, na hora acabou aparecendo mais gente, mas deu tudo certo.

Voltando para os preparativos, fui a uma gráfica encomendar os convites e os personalizados. A dona de lá é empreendedora materna e me deu uma super ajuda na hora de definir o tema e foi super ágil. Deu dicas como tinha feito no da filha dela e foi um doce de pessoa.

convite-marca-pagina-cha-de-bebeConvites

Escolhemos uma opção sustentável que pudesse ter outro uso depois. Fizemos em formato de marca página para a pessoa guardar de lembrança e usar nas leituras de livros. Foi tão legal que teve gente que fez questão de mais de um e fizemos uma quantidade extra.

Como não sou rica nem nada, enviei uma sugestão de presente em cada convite: coisas que eu ainda não tinha comprado e mais fraldas descartáveis. Alguns itens eram mais caros, como o colchão do berço e a saída de maternidade, mas pedi para duas tias que amo muito e tenho certa intimidade por isso não pegou mal.

Dica: Na hora de entregar o convite você pode reforçar que o presente é só uma sugestão e que a pessoa pode dar o que preferir.

 

Mesa com personalizados

Escolhemos poucos itens porque a ideia era fazer algo simples, mas bonito. A decoração ficou toda por conta da minha irmã, que não era profissional, mas encantou os convidados. Imprimimos apenas as bandeirolas e os adesivos para colocar nos porta-balas que compramos em casas de festas do comércio. Outros itens de decoração ela levou da casa dela ou pediu emprestado.

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Com a tia que caprichou na decoração handmade

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Enchemos esses recipientes com marshmallow nas cores pasteis.

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Escolhemos forminhas de doces nas cores que combinavam com a decoração

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Em outra parte do salão colocamos um varal com as roupinhas que ela havia ganhado

Centro de Mesa

Alugamos toalhas de mesa e os enfeites do centro foram feitos pela minha irmã também. Cachepôs com flores de papel de seda.

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Plaquinhas Divertidas

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Comidas e Bebidas

Você tá esperando um bebê, não sabe como vão ficar suas finanças depois que ele nascer. Isso foi determinante para decidirmos o que servir. Optamos por um lanche da tarde, assim não tivemos pratos quentes. Apenas docinhos e salgadinhos e três tortas salgadas (para dar sustância haha).

Para beber, sucos, refrigerantes, café com leite e achocolatado. Tudo foi preparado com muito carinho pela tia do meu marido que tem uma panificadora e nós adoramos.

Vídeo

Na semana do chá meu marido precisou fazer uma viagem a trabalho que não estava prevista. Para garantir que ele participasse de alguma forma, gravamos um vídeo e eu mesma editei, contando um pouco como foi a gravidez. Assistam um trecho:

Momento de Oração

Como minha gravidez foi de risco, o chá de bebê foi um momento de celebração pela chegada à reta final. Fizemos uma oração em agradecimento pelas bênçãos recebidas.

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Brincadeiras

Pedi ajuda para o meu primo e ele preparou algumas atividades. Ele ficou responsável pela animação e brincadeiras, tudo na maior informalidade e improviso. Cada participante ganhou um brinde simbólico.

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Meu primo se encarregou das brincadeiras

Banho no bebê – Chamamos três convidadas para me ensinar como dar o banho e trocar as fraldas de uma boneca. Claro que cada uma fez do seu jeito e não tinha uma maneira correta. Mas o importante era a segurança da criança. Lição aprendida.

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Quiz – Fizemos algumas perguntas sobre a minha gravidez e quem acertasse a resposta primeiro ganhava um brinde. Ex. Qual o nome completo que a criança seria registrada? Quais complicações tivemos na gravidez?

Conselhos – Distribuímos papel e caneta para as pessoas escreverem recadinhos com conselhos e mensagens para nós.

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Caça ao Tesouro – Essa foi uma bagunça, colocamos um papel grudado embaixo das cadeiras e quando anunciamos as pessoas começaram a procurar.

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Pintura de Barriga – Abri os presentes na hora e tentava adivinhar o conteúdo dos pacotes. A cada erro, ganhava uma pintura no corpo como se fosse uma prenda. Ficou lindo.

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Fotógrafo

Se tem alguma coisa que posso recomendar que vocês façam é investir em fotos de qualidade. Não adianta fazer tudo com carinho e não ter fotos para recordar depois.

Eu contratei um fotógrafo maravilhoso, mas claro que tudo depende do orçamento de cada uma. Se o seu tá apertado, pode até fazer com celular, desde que você escolha alguém que entenda um pouco de fotografia e se responsabilize pelos registros.

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Lembrancinhas

Cada convidada recebeu ao final um mini-perfume com o cheirinho da Sabrina. Nenhum segredo: compramos os frascos, colocamos adesivo personalizado e o perfume era infantil. Elas amaram.

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P.S.: Aproveitamos para fazer também as lembrancinhas de maternidade. Incluímos a impressão dos adesivos de álcool-gel no pacote do chá. Planejamento é tudo!

 

Enfim, essa foi um pouco da nossa experiência. Foi tudo muito improvisado, mas feito com carinho.

E vocês, gostaram? Coloquem aí nos comentários como estão os prepativos de vocês.

Créditos:

Decoração: Deyla Baía

Alimentos e Bebidas: Ruth Reis (Panificadora Santa Maria)

Fotografia: Alan Pantoja

Personalizados: Gráfica Ôpa

Animação: Fábio Pantoja

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Onde mãe é mãe e pai não é paca

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Esse mini-documentário dá um panorama sobre a importância da divisão de tarefas entre homem e mulher.

A Suécia é o país com maior licença-parental do mundo (480 dias compartilhados). Ela é um exemplo para nós brasileiros. É fundamental que a sociedade continue a pressionar a mudança de cultura para que as leis também sejam modificadas e cheguemos a um cenário mais igualitário.

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Belém na Semana Internacional do Incentivo ao Sling

Hoje começa oficialmente a Semana Internacional de Incentivo ao Uso do Sling (5 a 10/10/16). Só no Brasil são mais de 40 cidades participantes e Belém não podia estar de fora.

Estou radiante por apoiar essa ação aqui na Mangueirosa. A organização foi feita em parceria com as empreendedoras maternas Priscylla Resque (Natural Sling), Danielle Moura (Cegonhas Modernas), Stephanie Cruz (Mamãe Canguru). Também tivemos o apoio do Fábio Miranda (Cantinho Beauty da Mamãe e do Bebê), da Pérola Santos (Academia da Gestante e do Bebê) e da bailarina e professora Jéssica Azevedo.

Como estamos na proximidade do Círio, optamos por iniciar a programação no sábado passado 1/10. O encerramento será amanhã, 6/10, porque a cidade começa a ficar muito congestionada devido ao aumento do fluxo de pessoas. Ainda dá tempo de se inscrever. Saiba mais aqui.

Roda de Conversa abriu a Semana Internacional de Incentivo ao Uso do Sling em Belém.

Sling Seguro

Os slings são aqueles carregadores de bebê feitos de pano. A amarração junto ao corpo da mãe ou pai, além de deixar a criança mais calma e segura, a coloca em posição ergonômica, semelhante àquela em que estava no útero. Assim, os pequenos choram menos e dormem melhor do que nos berços ou carrinhos.

Eles são fundamentais para promover a chamada exterogestação. O recém-nascido humano, comparado ao outros mamíferos, é a única espécie que depende de adultos para se locomover, se alimentar e para quase tudo. Por isso, a exterogestação é entendida como quarto trimestre gestacional, fora do útero. Alguns especialistas defendem que a exterogestação deve ser até os nove meses, quando o bebê ganha mais mobilidade e independência para se locomover.

Ao contrário do que muita gente pensa, os slings não apertam no corpo. Além disso, deixam as mãos dos adultos livres e podem ser feitos de tecidos frescos, adequados para o clima quente de Belém. Por esse motivo, felizmente, é cada vez mais comum ver os bebês sendo carregados em slings na capital paraense.

Roda de Conversa

Quero contar um pouco como foi a nossa manhã no sábado. Fizemos uma roda de conversa no Horto Municipal e foi lindo e aconchegante. Estivemos com outras mães inspiradoras, ouvimos histórias de como o sling contribuiu com os cuidados com as crias. Isabelle Alves, por exemplo, no pós-parto já dormia com o sling para facilitar nas mamadas noturnas e na qualidade do sono dela e do bebê. “Tinha noites que ele levava até cinco horas direto”, contou.

Sabrina recém-nascida no sling

Sabrina recém-nascida no sling

Enquanto ouvia as mães, passava um filme na minha cabeça de como o sling entrou e ficou nas nossas vidas. Lembro que a Sabrina estava com menos de 20 dias de nascida e chorava muito dia e noite. Ela teve otite (inflamação no ouvido), uma das manifestações da alergia alimentar. Então precisava ficar a maior parte do tempo na posição vertical porque quando deitava doía mais ainda.

Compramos o sling para mantê-la em pezinho e acalmá-la com o contato pele a pele. Hoje em dia, como ela já tem mobilidade, não usamos mais com frequência. Mas super recomendo como um item que não pode faltar no enxoval.

Durante o evento, também ficamos sabendo da importância do uso correto dos carregadores de bebê. Existem vários modelos no mercado, inclusive aqueles parecidos com uma mochilinha. E é preciso cuidado, pois até mesmo os slings podem trazer prejuízos físicos a médio e longo prazo, se não for observada a posição adequada e confortável para cada peso e idade de bebê.

Vamos poder aprofundar os conhecimentos práticos sobre o assunto na oficina de amarração, na quinta-feira. Olha como tá linda nossa programação:

  • Pintura de barriga para as gestantes
  • Oficina de amarração de slings
  • Psicomotricidade e Dança com bebês no Sling
  • Bate-papo sobre Empreendedorismo Materno
  • Sorteio de brindes

Bora lá!

Serviço: 
Dia 6/10 (quinta-feira) – 15h às 18h – Auditório do Laboratório Sabin – Tv. Castelo Branco, 912. Inscrições pelo (91) 98704-3240. 

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Pequena História da Amamentação

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1º de Agosto é o Dia Mundial de Amamentação, data comemorada desde 1992 para conscientizar mulheres sobre a importância do leite materno e do abastecimento de bancos de leite. Não tenho dúvidas o quanto esse movimento é importante e aplaudo de pé todas as iniciativas para incentivar a amamentação. Principalmente porque eu não tive esse privilégio, aliás, tive mas por pouco tempo. Minha filha mamou na primeira hora de vida e, logo em seguida, apresentou os sintomas de alergia alimentar.

A última vez que amamentei em maio de 2015

A última vez que amamentei em maio de 2015

Com 15 dias de nascida ela estava com uma colite grave, com sangue aparente nas fezes. Na época, fiz uma dieta por orientação médica, mas mesmo assim os sintomas permaneceram em menor grau.

Depois de duas tentativas de relactação, a amamentação foi suspensa definitivamente quando ela tinha dois meses. Vocês não podem imaginar a frustração que senti ao saber que o meu leite de alguma forma estava fazendo mal para ela.

Nunca tinha ouvido falar nisso. E consultei três gastropediatras e me informaram que, em casos extremos, realmente isso acontece. Fomos sorteadas. Até hoje ela faz tratamento e, felizmente, está evoluindo bem.

Cultura da Amamentação

Um dia desses, assistia o filme “A Duqueza” (2008) e fiquei surpresa com a cena em que a bebê chora e a avó aciona a ama de leite para alimentar a criança. Entretanto, a mãe, protagonista, dispensa. Então quer dizer que na Europa do século XVIII não era comum as mães amamentarem? Não.

Aliás, a prática da amamentação tem passado por várias mudanças conforme o contexto histórico e social, de acordo com as pesquisadoras Maria Lúcia Magalhães Bosi e Márcia Tavares Machado (2005)*.

Na Antiguidade, supõe-se que os gregos recebiam alimentos de outras fontes além do leite materno. Isso seria possível através das evidências em escavações arqueológicas em tumbas, onde foram encontradas vasilhas de barro ao lado dos corpos de recém-nascidos. Nos tempos espartanos, a mulher esposa do rei amamentava o filho mais velho e as plebeias alimentavam as outras crianças.

Na Bíblia também é referida a prática das amas-de-leite e do aleitamento materno, sendo o leite comparado à palavra de Deus: “Desejai ardentemente como crianças recém-nascidas o leite genuíno, não falsificado, para que por ele vades crescendo”(I Pedro 2;2).

Há poucos registros sobre a vida dos infantes do século XII. Nessa época, havia uma atitude de indiferença em relação às crianças, que eram representadas por homens de tamanho reduzido, expressando o sentimento vigente de que esta se
diferenciava do adulto apenas no seu tamanho e na sua força. Essa concepção predominou até o fim do século XIII, quando passaram a ser reconhecidas por sua proximidade com os anjos e o menino Jesus cujas formas aproximavam-se da morfologia infantil (BOSI; MACHADO, 2005)

A primeira infância só teve olhares voltados para si com a chegada da modernidade. Ainda assim, de 1500 a 1700, mulheres inglesas não amamentavam seus filhos. Elas preferiam parir vários filhos do que amamentá-los, acreditando que seus corpos envelheceriam antes do tempo — crença que ainda habita o imaginário feminino até o dias atuais com a aversão ao “peito caído”.

No século XVIII ainda havia a prática de envio de crianças para as casas das amas-de-leite em todas as camadas sociais. Com isso o aumento da mortalidade infantil associadas a doenças adquiridas pela ama incentivou à substituição pelo leite de vaca.

No Brasil, há relatos de que dos séculos XVI e XVII, os filhos das indígenas tupinambás eram amamentados durante um ano e meio e, neste período, eram transportados em pedaços de pano conhecidos por typoia ou typyia. Mesmo se as mulheres tivessem que trabalhar nas roças, não largavam seus filhos: carregavam as crianças nas costas ou encaixavam-nas nos quadris. Inclusive, se soubessem que o bebê tinha mamado em outra mulher, não sossegavam enquanto a criança não colocasse para fora todo o leite estranho.

Durante a escravidão, as negras eram obrigadas a amamentar os filhos das sinhás, como representado na tela ao lado, em que o filho da escrava está no chão enquanto ela alimenta a criança branca.

Lucílio de Albuquerque: Mãe Preta, 1912 Óleo sobre tela, 180x130cm Salvador, Museu de Belas Artes da Bahia.

No séc. XIX, as mulheres burguesas que não podiam amamentar e que tinham recursos eram orientadas a contratar uma ama-de-leite em domicílio, fiscalizando todos os cuidados proporcionados ao bebê. O sistema de amas-de-leite prosperou até fins do século XIX. Depois disso, o aleitamento artificial, sob forma de mamadeira com leite de vaca, possibilitado pelo progresso de esterilização, viria a substituir a amamentação mercenária.

No artigo das pesquisadoras é possível se aprofundar no tema. A análise delas é importante pois considera como as mulheres percebem essa experiência, suas dificuldades reais — culturais e imaginárias — seus desejos e expectativas.

É um trabalho muito rico e ajuda a desmistificar a culpa imposta à mulher que não amamenta, atribuindo-lhe a responsabilidade pelos males causados em das crianças que não usufruíram do leite materno.

É questão de escolha?

Minha opinião pessoal: amamentar é lindo depois que mãe e bebê já estão adaptados à prática. Antes disso, dói. Dói muito: o peito, as costas. Além de estar exausta com todos os demais cuidados, a mãe precisa fazer a criança arrotar. De madrugada então, até que ela aprenda a se alimentar deitada, é um sufoco. Felizmente, eu tinha apoio da minha mãe, irmã e prima que se revezavam para me ajudar com isso.

Mas é muito pior lidar com a alergia. Fazer mamadeiras em hora marcada, o cuidado com o preparo, a logística para sair e levar as porções, água quente etc. Não pode levar pronto, pois com menos de uma hora o alimento não pode mais ser consumido.

E convenhamos, a maioria das alergias aparece quando o bebê toma fórmula animal. Então, se a mãe e bebê não têm nenhum agravante que possa impedir esse ato, como patologias infecciosas, por exemplo, devem prolongá-lo ao máximo. É prático, previne doenças no bebê e reduz a preocupação dos pais com problemas que podem aparecer.

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A culpa é da mãe

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Se tem algo que me incomoda na maternidade é quantidade de dedos apontados para a mãe. É como se todos os problemas e desafios na criação dos filhos fossem de alguma forma causados por ela. Desde o desejo de engravidar.

-Não queria ser mãe? Agora aguenta.

Frases assim são recorrentes e recheadas de covardia. Até parece que todos nós não nascemos de uma mãe. Além do mais, o ser humano é tão complexo. Depois da infância nossos problemas existenciais crescem de tal forma, começando na adolescência e ficando piores na vida adulta. Não seria justo atribuir o início deles aos pais — menos ainda à mãe.

Lembro das primeiras 24 horas de vida extra-uterina da minha filha. Ela chorava incessantemente. Para mim havia algum problema e, ao acionar a equipe médica do hospital, a principal desconfiança era fome.

-Você deve estar com pouco leite — diziam.

O leite descia. Muito.

-Ou ela não está fazendo a pega correta — completavam.

As dificuldades com a amamentação são comuns. O bebê não nasce sabendo mamar, apesar do instinto natural de busca por alimento. Com o tempo, mãe e filho vão se adaptando. Naquele momento quatro pessoas vieram nos atender. Uma por vez. Aprendi com cada uma técnicas diferentes para ensiná-la a fazer a pega e não conseguia acreditar que estava vivendo aquilo.

Por fim, minha filha estava apresentando os primeiros sinais de alergia alimentar, que se agravaram nos 15 dias seguintes. Ninguém conseguiu detectar rapidamente.

Aquilo para mim era surreal. Foi a primeira vez que recebi aquele olhar acusador (e de várias pessoas). Depois de 16 meses, eles continuam. Entretanto, eu me recuso a conviver com eles de forma pacífica. Travo uma batalha diária contra a concepção de super mãe.

É óbvio que ninguém é perfeito — e correr atrás disso gera ainda mais frustração. A sociedade tem uma cultura tão enraizada que mesmo antes de nos tornarmos mães já nos enchemos de preconceitos e expectativas:

-Quando eu for mãe vai ser do meu jeito.

-Se fosse meu filho, isso não aconteceria.

A TV, a Internet, as propagandas de produtos infantis mostram uma vida tão harmônica com a chegada dos filhos. Fico impressionada como são retratadas as personagens puérperas de novelas: tranquilas, arrumadas e com bebês dorminhocos. Diante de tantas facilidades, quem não quer ser uma mãe perfeita? E quando isso não se concretiza o mundo cai. Ou seja, a mãe já se sente culpada por si só. Nas pequenas coisas, no seu íntimo, só ela sabe. Não precisa de mais gente reforçando.

Os cuidados com um bebê são exaustivos. Nossas vidas viram de cabeça para baixo. Nem nos meus momentos mais inspirados eu poderia imaginar como seria. Mas certamente se tornam mais estressantes se vierem acompanhados de pitacos e cobranças. E ainda: quanto mais a mãe se aborrece, mais o bebê absorve a tensão e as coisas pioram num looping eterno.

Não julgue. Ajude.

Eu confesso que já me irritei com crianças fazendo birra em lugares públicos. Já discriminei silenciosamente atitude de pais. Mas a primeira coisa que me dei conta nesse universo foi a importância de não julgar. É difícil, ainda me traio muitas vezes, mas procuro me policiar.

Não existe fórmula pronta para criar filho ou para ser mãe. O exercício da empatia é fundamental, tentar se colocar no lugar da outra, compreender suas escolhas (ou não).

Na dúvida, pergunte se a pessoa deseja alguma ajuda e se predisponha. As mães tendem a se colocar em último plano. Faça um mimo. Dê um abraço. Chame para um café. Mostre para ela que se importa com ela. Ouça. Isso pode não resolver os problemas, mas ajuda a lidar com eles.

O que achou desse texto? Curta ou escreva nos comentários para que ele possa ser lido por mais pessoas. 🙂

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Sobre trabalho e maternidade

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Morei três anos junto com meu marido até criar coragem para interromper a pílula. Aos 27 anos, era analista de comunicação em uma grande empresa e tinha um medo enorme de a maternidade me fazer perder o foco na minha carreira.

Uma vez ouvi uma gerente bem sucedida dizer que já estava planejando a próxima gravidez, sendo que na ocasião o seu primeiro filho ainda era pequeno. Quando perguntei se ela não ficava preocupada em conciliar os cuidados com as crianças e o trabalho, a resposta foi que ela não conseguia se realizar profissionalmente se não estivesse bem na vida pessoal. Para ela, a maternidade não era um entrave e, inclusive, havia sido promovida a gerente quando estava grávida.

Aquilo me fez pensar nos rumos que estava dando para minha própria vida. Nessa época, meu marido havia aceitado um desafio em outra cidade e eu não o acompanhei por não conseguir abrir mão do trabalho e do curso de mestrado que acabara de ingressar, os quais representavam toda a minha realização naquele momento.

No primeiro ano nos encontrávamos uma vez por mês. No segundo já não era possível conciliar nossas agendas e passamos até três meses sem nos ver. Com uma rotina atribulada, já não via sentido em tomar aqueles comprimidos religiosamente. Até que um dia joguei a última cartela vazia fora e nunca mais comprei outra.

Não engravidei no primeiro mês, nem no segundo. Havia algo de errado. Um fantasma começou a habitar nossos pensamentos: a infertilidade. Mudamos de médicos, uns diziam que o problema estava em mim, outros no meu marido. Por fim, descobrimos que meu corpo não ovulava mensalmente, como acontece com a maioria das mulheres. Nunca havia sido informada em nenhuma consulta de rotina.

Conseguimos engravidar naturalmente e inesperadamente em junho de 2014, após seis anos juntos. Chorei copiosamente ao dar a notícia para minha gerente ao telefone. Estava muito feliz, mas apavorada. Sabia que aquele era um marco transformador na minha vida. Para completar, tive uma gestação de risco em que o medo de perder meu bebê me assombrava dia e noite. Durante toda essa jornada eu me culpava e me questionava o quanto havia sido egoísta no passado.

Enquanto isso, minha relação com o trabalho foi mudando. Já não enxergava a minha carreira de forma tão promissora. Tinha dúvidas se ia voltar após a licença maternidade, pois aquilo tudo foi perdendo o sentido. A chegada de minha filha me fez ver o mundo de outra forma: com mais leveza e otimismo.

Saí do emprego e hoje empreendo em meu home-office, o que me permite estar presente no desenvolvimento dela. Se eu contasse isso para mim mesma há cinco anos, muito provavelmente não acreditaria.

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